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quinta-feira, 29 de maio de 2014

LITERATURA SEM FRONTEIRAS: TRAMAS FICCIONAIS CONTEMPORÂNEAS



Era uma vez, há muitos e muitos anos atrás, uma espécie que a ciência decidiu chamar de “Homo Sapiens” (a denominação vem do latim e significa “homem sábio”). Essa espécie, assim como nos relata o fabuloso Wikipédia, tem o cérebro extremamente desenvolvido com inúmeras capacidades como: raciocínio abstrato, a linguagem, a introspecção e resolução de problemas.
            Mas não é só isso...
            Essa espécie (cujo os valores ainda são questionáveis, mas tudo bem, não é essa a discussão de hoje) sempre possuiu uma necessidade advinda de uma sensibilidade de se fazer comunicar, interagir e........... FINGIR.
            Para uma tentativa de atingir essa satisfação o homem sempre recorreu ao Fictus (Ficção). Melhor esclarecendo, o “Homo Fictus” sempre existiu, o homem desde os primórdios se revestiu da habilidade de transfigurar a realidade em ficção, ou como preferem os mais utópicos, fantasia. (Só lembrando, sem um maior compromisso de esmiuçar o assunto, que a ficção por muitos anos possuiu também a função da ciência).
            Considerando que estamos falando de uma época absolutamente remota, levamos em consideração a inexistência da escrita (apesar de não descartarmos a hipótese de as imagens ser uma habilidade de escrita comunicacional). A forma de compartilhar as histórias ficcionais era feita, privilegiadamente, através da modalidade oral. Nesse caso, A MÍDIA ERA O PRÓPRIO HOMEM.
            Pecaríamos abundantemente se afirmássemos que a prática oral de contação de histórias não envolve um trabalho estético. Existe toda uma preocupação que vai desde a postura do contador à entonação de voz.   Mas a questão da contação de histórias já está, ao meu ver, muito bem resolvida e legitimada enquanto uma prática literária. A questão que pretendo esboçar nessa pequena discussão diz respeito às novas demandas comunicacionais, mais especificamente, as que apresentam em sua composição a presença da narrativa ficcional e propor, dessa forma, uma reflexão sobre uma visível afinidade dessas narrativas emergentes com a Literatura.
            Um primeiro, e mais difícil dos passos, seria estabelecer um conceito único, concreto, absoluto, autônomo e (blá, blá, blá) para a Literatura.  E isso, já adiantando, é tarefa impossível, ou no mínimo, falha. Até porque a literatura é um processo subjetivo que desrespeita paradigmas. Afirmar com toda autoridade que “Literatura é a arte da palavra” não me convence, pois não se especifica se essa palavra é impressa, digitalizada, desenhada ou falada. Alguém teria a coragem de rotular a Literatura como “A arte da palavra impressa”?
            Se assim for feito, vamos dizendo adeus em garantir que os contos de fadas são literatura, uma vez que se nasceram da tradição oral...
            Eu prefiro, ao invés disso, dizer que a Literatura é uma narrativa, essencialmente ficcional (construída a partir da linguagem verbal) capaz de transfigurar a realidade em ficção e provocar no receptor a maravilhosa “catarse” ao passo em que o permite uma aprendizagem (seja de uma cultura diferente, épocas distantes, valores pessoais, morais éticos e tal). Outro fator interessante é que a Literatura tem (não exclusivamente) a função de um registro de costumes (sociais, linguísticos, políticos, religioso e blá, blá, blá) pertinentes a uma determinada época.
            [Baseando nisso, faça uma reflexão silenciosa consigo mesmo tomando como objeto as narrativas contemporâneas.... ]
            Antes que eu me empolgue demais nesse assunto e comece a falar exclusivamente dos Best Sellers, me concentrarei no título dessa discussão. A Literatura do século XXI está sujeita às expectativas do leitor, ok. Mas além disso, está diretamente ligada a outras demandas artísticas, como por exemplo: cinema, telenovela, teatro e... Videogames.
            É muito comum, atualmente, entrarmos em uma livraria e encontrarmos um livro com a capa de um filme. É comum também abrirmos um site de portal e nos depararmos com a notícia de que o nosso livro predileto será adaptado para as telas. E tornou-se, igualmente comum, vermos um game exposto nas livrarias em adaptação impressa. Vivemos em uma cultura em que o game pode ir para o cinema e depois virar livro, ou então o filme vira game, ou o game vira livro e vice-versa (quase confuso não é ?! rsrsrs).
            Tudo isso faz parte de uma cultura, a qual o incrível Henry Jenkins chama de “Cultura da Convergência”. Lindíssimo termo...  
            Nas palavras de Jenkins (2009):
Por convergência, refiro-me ao fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento que desejam. Convergência é uma palavra que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar falando. [...] No mundo da convergência das mídias, toda história importante é contada, toda marca é vendida e todo consumidor é cortejado por múltiplas plataformas de mídia. (JENKINS, 2009, p. 29)
            
Essa cultura é fruto de um novo dilúvio....
            Sim, podem pensar no dilúvio bíblico. Pierre Lévy, dedicou em seu “Cibercultura” um tópico introdutório denominado “Dilúvios”. Nesse tópico, ele nos remete ao dilúvio ocorrido na época de Noé e que representou o fim de uma era e o começo de uma nova. O novo dilúvio, ocorrido há pouco tempo atrás, foi um dilúvio informacional, tecnológico. Fomos banhados por um imenso oceano de informações, advindas com a internet, e isso representou o início de uma nova era informacional e tecnológica.
            Desse novo dilúvio, surgiram novas ilhas...
            É importante observarmos que esse novo dilúvio não representou a morte de uma era, mas uma modificação da mesma. Não é segredo que muitos temeram que os E-books eliminariam as obras impressas, que o cinema e a televisão fariam as bibliotecas e livrarias serem extintas. Mas, visivelmente, não é verdade. As livrarias continuam mais cheias do que nunca. As novas formas de arte estão convergindo e não eliminando as antigas.             Bem, concluo que vocês possam se sentir um pouquinho enganados pelo título desse texto (rsrs). A intenção foi alertar para o fato de que as novas mídias possuem traços da Literatura. Isso não quer dizer que deveríamos analisar os Videogames com o instrumental teórico da Literatura (isso seria colocar um bolo quadrado em uma forma redonda). Também não estou afirmando com todas as palavras que os Videogames são Literatura. Mas podemos sim, considerar os games como uma nova forma de narrativa ficcional.
            Cabe, portanto, a Literatura dar conta de formular um novo instrumental teórico capaz de atender as provocações da arte.
            Espero, no próximo texto, poder compartilhar informações mais específicas.

            Até a próxima...

- Mario Lousada
Mestrando em Teoria da Literatura UEM

Referências
CANCLINI, N.G. Leitores, espectadores e internautas. Tradução de Ana Goldberger. São Paulo: Iluminuras, 2008.
COMPAGNON, A. O demônio da teoria. Literatura e senso comum. Tradução Cleonice Paes Barreto Mourão e Consuelo Fortes Santiago. Belo Horizonte: UFMG, 2006.
JENKINS, H. Cultura da convergência. Tradução de Susana Alexandria.
São Paulo: Aleph, 2009
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LÉVY, P. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo:
Editora 34, 1999.



quarta-feira, 31 de julho de 2013

Livros para se ler em um dia



Essa é uma teg que é (foi) muito popular nos canais literários do youtube e nos blogs sobre livros. Mas, como O Correio das Letras só nasceu agora viemos resgatar essa ideia (com um pouquinho de atraso, rs). Mas, acho ela bem pertinente, até porque, em plena geração 150 caracteres, o tempo para a leitura é tão fluido e curto que, a menos que o livro seja muito bom, dificilmente um leitor médio ficaria grudado em 800 páginas. (Ainda bem que existem os santos George R. R. Marin e o Stephen King, com seus livros quilométricos para dar uma equilibrada no mercado editorial de hoje em dia).
É bem verdade que é uma tendência da literatura contemporânea ser mais enxuta, e essa brevidade bem uma questão estética, que tudo tem haver com nosso tempo, o que faz com que as obras se enxuguem cada vez mais, ainda assim, essa “objetividade” toda não anula o mais importante de um livro: seu poder sobre o leitor.
As novas técnicas narrativas contam a história muitas vezes até pelo que deixam de contar, e sem os pensamentos prontos e os sentidos mastigados que antes enchiam os livros a boa literatura tem se condensado cada vez mais em pequenas obras.

O que se segue é uma pequena lista de sugestões com obras pequenas na forma, mas gigantes no conteúdo! (sim, eu sei, isso horrível), para quem tem pouco tempo, ou para quem apenas quer ter uma leitura mais rápida. Procuramos variar um pouco os assuntos, países de origem, época, etc. Literatura de um dia para todos os gostos:

01- A revolução dos bichos – George Orwell
Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, "A Revolução dos Bichos" é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto. 




02- A metamorfose – Franz Kafka
A Metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. O texto coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante - o famoso Gregor Samsa - transformado em inseto monstruoso. A partir daí, a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana - tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal. 







03- Secreções, excreções e desatinos – Rubem Fonseca
Rubem Fonseca apresenta um conjunto de contos em que a fisiologia do corpo humano se associa a desatinos da alma. São ao todo catorze contos. As personagens e/ou situações desta coletânea podem ser consideradas fora do comum. Entretanto, o tom dos narradores (quase sempre os protagonistas) é calmo, sereno, desapaixonado. Por mais estranhas que pareçam, as histórias são contadas como se não houvesse nelas nada de excepcional.





04- A Morte em Veneza – Thomas Mann
Publicado em 1912, A Morte em Veneza conta a estória do escritor alemão Gustav von Aschenbach, que vai passar férias em Veneza. Lá, apaixona-se platonicamente pelo jovem polonês Tadzio, de 14 anos, e passa os dias a admirá-lo. O livro praticamente traz considerações de Aschenbach sobre as dicotômicas beleza natural do jovem e a arte da escrita tão arduamente trabalhada por ele. Ou sobre juventude e velhice, sabedoria e ignorância, saúde e doença.




05- A Morte de Ivan Ilitch – Liev Tolstoi
Em agosto de 1883, duas semanas antes de falecer, o escritor russo Ivan Turguêniev escreveu a Tolstói: "Faz muito tempo que não lhe escrevo porque tenho estado e estou, literalmente, em meu leito de morte. Na realidade, escrevo apenas para lhe dizer que me sinto muito feliz por ter sido seu contemporâneo, e também para expressar-lhe minha última e mais sincera súplica. Meu amigo, volte para a literatura!". O pedido de Turguêniev alude ao fato de que Tolstói havia então abandonado a arte e renegado toda sua obra pregressa para se dedicar à vida espiritual. Embora não se possa dizer com certeza em que medida as palavras de Turguêniev repercutiram em Tolstói, é certo que A morte de Ivan Ilitch, publicada em 1886, foi a primeira obra literária que ele escreveu após seu retorno às letras mdash; e que se trata de um dos textos mais impressionantes de todos os tempos. Considerada por Nabokov uma das obras máximas da literatura russa mdash; e por muitos uma das mais perfeitas novelas já escritas mdash;, A morte de Ivan Ilitch ganha agora nova edição em língua portuguesa, com tradução e posfácio de Boris Schnaiderman, e, em apêndice, texto de Paulo Rónai sobre o autor e sua obra.


06- Os espiões – Luis Fernando Veríssimo
Luis Fernando Verissimo constrói, neste livro, uma alegoria híbrida de mitologia, humor e mistério. Ainda se curando da ressaca do final de semana, na manhã de uma terça-feira, o funcionário de uma pequena editora recebe um envelope branco, endereçado com letras de mãos trêmulas. Dentro, as primeiras páginas de um livro de confissões escrito por uma certa Ariadne, que promete contar sua história com um amante secreto e depois se suicidar. Atormentado por sonhos românticos, esse boêmio frustrado com seu casamento, e infeliz no trabalho, decide tomar uma atitude - descobrir quem é Ariadne e, se possível, salvá-la da morte anunciada. Na mitologia grega, ela ajuda Teseu a sair do labirinto. No entanto, o autor cria uma Ariadne ao contrário, que vai enfeitiçando o protagonista e seus amigos de bar, os espiões deste livro.



07- Invenção e memória – Lygia Fagundes Telles
Guardar momentos na caixa de sonha, e depois entreabri-la com as mãos do imaginário e da fantasia para mostrar o seu conteúdo, guardado com carinho, ao leitor. A descoberta é só prazer. Lygia ama tanto o sonho como a criação. São quinze histórias onde flashes da infância e da juventude ganham cores e sabores no processo de criação. A menina que descobre os mistérios da solidão em "Que se chama solidão" ou da morte - tema tão recorrente na obra da autora -, em "Suícidio na granja". Um amargo e profundo questionamento da maturidade do envelhecimento em "Se és capaz"; deliciosas fantasias adolecentes como "Dança com o anjo" e "Cinema Gato Preto". Invenção e memória, na evocação de cenas e estados de alma da infância e da adolescência, atinge um dos mais belos efeitos da obra da autora. Os desfechos surpreendentes provocam o imaginário do leitor e nos convidam a completar, a colocar um ponto final.



08- O estrangeiro – Albert Camus
"O Estrangeiro", tão popular porque, à parte ser a seca narrativa das desventuras de Meursault, condenado à morte por matar um árabe a troco de nada, é também a narrativa das desventuras de um homem do século XX. Uma autobiografia de todo mundo. Mersault leva uma vida banal; recebe, indiferentemente, a notícia da morte da mãe; comete o crime; é preso; julgado; tudo gratuito, sem sentido, apenas mais um homem arrastado pela correnteza da vida e da História.






09- Muitas vozes – Ferreira Gullar
Em “Muitas Vozes” (1999), Ferreira Gullar reúne a produção dos últimos doze anos e demonstra que recorta as cenas do cotidiano com reflexões agudas, traçando imagens ao mesmo tempo delicadas e provocadoras. Segundo o próprio autor, a fúria presente em todos os seus livros anteriores, neste está amainada. É um livro mais reflexivo, em que a temática da morte está muito presente, não como medo mas como reflexão. Ouve-se o eco de toda experiência do poeta acumulada ao longo de quase sete décadas. Foi preciso muita coisa passar: o exílio, depois a morte rondar perto, familiar e sem ênfase; os mortos restarem no abandono do chão impenetrável; o silêncio crescer dos ausentes ao cosmos.



10- A humilhação – Philip Roth
Aos 65 anos, Simon Axler, um renomado ator de teatro, sobe no palco e constata que não sabe mais atuar. De uma hora para outra toda sua autoconfiança se esvai, e ele perde a capacidade de interpretar os personagens que, ao longo de uma extensa carreira artística, haviam lhe trazido renome. A partir daí, sua vida entra numa espiral de perdas: a mulher vai embora, o público o abandona e seu agente não consegue convencê-lo a retomar o trabalho. Obcecado com a ideia do suicídio, Simon se interna numa clínica psiquiátrica.
No meio desse relato terrível de uma autoanulação inexplicável e apavorante, irrompe um enredo em sentido contrário. Simon se envolve numa relação passional com uma mulher mais jovem, homossexual, filha de um casal de atores que ele conheceu na juventude. Nasce daí um desejo erótico avassalador, um consolo para uma vida de privação, mas tão arriscado e aberrante que aponta não para o conforto e a gratificação, e sim para um desenlace ainda mais negro e chocante. 


11- Liquidação – Imre Kertész
B., um escritor húngaro, suicida-se e deixa como legado uma peça de teatro intitulada Liquidação. Um dos personagens do manuscrito é o editor de B., Amargo, o protagonista deste desconcertante romance do ganhador do Premio Nobel de Literatura de 2002, Irme Kerstész. É Amargo que, analisando a peça e investigando as causas mais profundas de um gesto tão radical.
Não espere aqui as convenções e peripécias do gênero policial. A investigação de Amargo esta menos preocupada com os fatos - com a possível existência de outro manuscrito obscuro - do que com suas ressonâncias éticas e filosóficas. B. é uma das poucas crianças nascidas em Auschwitz, e o suicídio remete á condição individual possível em meio à armadilha histórica: assim como a Hungria e o próprio Kerstesz, o personagem passou a maior parte do século XX dividindo entre o totalitarismo de Hitler e o de Stalin.




12- Herdando uma biblioteca – Miguel Sanches Neto
Coleção de crônicas onde Miguel Sanches Neto conversa com o leitor sobre seu processo de formação de leitura, bem como a vida e as desventuras de um crítico literário.









13- Pulp – Charles Bukovwski
A saga de Nick Belane poderia até ser igual a de tantos outros detetives de se gunda categoria que perambulam pelas largas ruas de Los Angeles. Mas aqui, mulheres inacreditáveis cruzam pernas compridas e falam aos sussurros, principalmente uma que atende pelo nome de Dona Morte. Como nos velhos livros policiais de papel vagabundo, subliteratura pura, a quem Charles Bukowski dedica solenemente Pulp.



                             
14- O velho e o mar - Ernest Hemingwa
Essa é a história de um homem que convive com a solidão do alto-mar, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e sua inabalável confiança na vida. Esse é o fio do enredo - fio tenso como o que prende na ponta da linha o grande peixe que acaba de ser pescado - com o qual Hemingway arma uma das mais belas obras da literatura contemporânea. Há 84 dias que Santiago, um velho pescador, não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salao, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas Santiago possui têmpera de aço, acredita em si mesmo, e parte sozinho para o mar alto, munido da certeza de que, desta vez, será bem- sucedido no seu trabalho.
                                



(Fontes das resenhas: www.skoob.com.br)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Anatomia do tempo

É redundante qualquer alusão à importância do tempo na obra proustiana, o próprio titulo já denuncia isso, mas em caráter pessoal, o que me chama a atenção é a maneira como o tempo se desdobra na narração, amarrando-se em milhares de caminhos que tornam a leitura, mesmo intensa, uma luta contra a maré do fluxo de acontecimentos. O tempo segue um ritmo, que de tão profundo, absorto nas reminiscências do narrador, da voltas sobre si mesmo, retardando o avanço, quase como um eterno retrocesso, às vezes cansativo, mas nem por isso menos prazeroso. O tempo é um corpo arquitetônico, construído sobre outros tempos, que se completam e se conflitam-se, ao ponto de o narrado não serem os fatos e sim a própria essência temporal que divaga na alma do
autor, são memórias, mais que isso, memórias de sensações, memórias sensíveis que traduzem, ou buscam fazer, o indelével. O universo em absoluto é interiorizado, medido e reconstruído dessa ótica profunda, e finalmente refeito quase filosoficamente. Esse tempo se reflete na própria construção das sentenças, normalmente longas, que delongam-se no percurso de várias idéias sobrepostas. O narrador monta o enunciado, o interrompe com outra idéia, uma explanação maior dessa idéia, uma metáfora, uma observação, e a conclusão do enunciado original. Razão pela qual não raramente se encontram parágrafos de três a quatro páginas. De qualquer modo, a obra propõe uma leitura quase experimental, de um tempo quase experimental, que leva o leitor para outra dimensão, ao mesmo tempo que invoca neste uma dimensão intima, que todos possuem, mas muitas vezes se faz inexplorado, e o tempo da narração, se torna, desta forma, o tempo de nós mesmos.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A queda do homem, a queda da nação

Ao fechar desse livro senti todo o peso do que os gregos chamavam de catarse, sob a forma de um sentimento abstrato, de uma elevação melancólica que vinha não sei de onde e me enchia por completo. O poder narrativo de Mann rompe as barreiras do tempo, as barreiras do espaço, tanto na obra, quanto no universo do leitor. Doutor Fausto te leva para regiões de si mesmo inexplicáveis em palavras, onde somente a arte (a arte como deveria ser) é capaz de levar no seu resultado final! Ele te rouba daqui, te coloca num universo paralelo, apesar de todo esforço necessário para ler sua prosa, que é, sem dúvidas, difícil. Isso se deve ao caráter de oralidade da narração, o narrador monologa com o leitor (o que é muito interessante), mas sem abandonar o seu microcosmos, ou seja, ele fala com quem lê falando ao mesmo tempo com si mesmo, o que dá várias vezes um ar filosófico ao livro. Outro ponto "pesado" são os trechos sobre teoria da música, o que é incrível, porque entre as passagens técnicas Mann faz o absurdo de descrever algo tão abstrato quanto a música! Mas o fato de nem todos os leitores (eu por exemplo) não serem músicos, torna meio complexo a leitura.
Quanto a história! Thomas Mann viaja entre dois tempos com seu narrador, Severos Zeitblom,que vive o final da Segunda Guerra Mundial, e volta, através de suas lembranças, até antes do começo da Primeira Guerra, para narrar a vida do amigo protagonista, Adrian Leverkühn, cuja história termina, pasme!, no começo da Segunda Guerra Mundial. A razão é o jogo figurado fodastico de Mann, que faz seu protagonista e seu país dividirem o mesmo destino. Ambos são levados por palavras (Hitler e o diabo) a venderem suas almas em troca do brilho da grandeza, e seu destino é trágico por isso. Quando o Fausto do século XX e o país mais poderoso do mundo partilham do mesmo fim, é natural que a narração abarque ao mesmo tempo ambos. E ao mesmo tempo, a história de Doutor Fausto é a história da arte. A apologia à arte moderna é gritante, romper as barreiras, alcançar o absolutamente novo, transformar em arte o que é apoético! E no fim de tudo, o encontro da beleza com a tristeza, como a dor sem medidas transportada para a arte consegue encarnar o mais elevado tributo, e transformar-se, a tristeza na arte, na expressão máxima de uma época, que, com toda sua perda da "eminência à vida", como diria Lukács, encontra na tragédia a expressão absoluta! Por fim, fica, é claro, o vazio que te acompanha ao terminar uma obra na qual vc mergulhou por muito tempo e que deixará, felizmente, saudade.

A tragi-comédia do futuro, segundo Aldous Huxley

Em um futuro 500 anos à frente de nossos dias, o mundo se tornou uma construção de plástico. Ter, comprar, sentir e obedecer, eis os mandamentos universais. A felicidade não é mais um objetivo, é uma máxima absoluta; não ser feliz é um crime. Quando pensamentos robotizados sintetizam o caráter humano em uma sociedade distopia profundamente consumista e toda celula familiar é dissolvida em uma fria estrutura passional de busca por prazer constante, a identidade do homem individual desaparece num mar de neon e entorpecentes politicamente corretos. Nesse futuro, ser é o fruto de um sistema delineado para preestabelecer os padrões direcionais da vida. O homem é aquilo que nasceu especificamente para ser – ou melhor dizendo, é aquilo para o qual foi fabricado e condicionado a ser.
É preciso que o caos nasça em uma esfera totalmente amputada da sociedade, para então ser enxertada no cerne dessa maquina absoluta e inefável. E ao fazer, a ideia de ser, ter, sentir, comprar e obedecer é questionada ao ponto de parecer loucura. Em um mundo de loucos, como pode a razão prevalecer? Admirável mundo novo é um quadro do mundo atual, satiricamente pintado com cores futuristas para retratar uma geração altamente consumista e de rasa propriedade emocional. Quando todas as esferas sociais são condicionada por parâmetros fúteis e vertiginosos, todo um mundo de “felicidade forçada” é uma cadeia por onde cegos desempenham seus papeis segundo as cordas do sistema, tomando essa pantomima trágico-cômica por vida. E será essa triste realidade que o jovem Selvagem irá encontrar no mundo civilizado após anos de ostracismo. Mas como pode alguém com valores sobreviver em uma sociedade de ideais comerciais e transitórios? O Selvagem é o caos em um sistema de mundo condicionado e estratificado pela filosofia capitalista e, quando o homem se torna o produto de consumo absoluto, será ele o resquício de uma consciência que vê o homem como ser e, por tanto, não pode se fazer compreender. A identidade é uma peculiaridade desconhecida para o homem do futuro. Um futuro triste espera o homem, diz Huxley em sua obra mais famosa. Não ser mais que um objeto ou a loucura.

A tragédia hemingwayniana

"Aos que trazem coragem a este mundo, o mundo precisa quebrá-los para conseguir eliminá-los, e é o que faz. O mundo os quebra, a todos; no entanto, muitos deles tornam-se mais fortes, justamente no ponto onde foram quebrados. Mas aos que não se deixam quebrar, o mundo os mata. Mata os muito bons, os muito meigos, os muito bravos – indiferentemente. Se vocês não estão em nenhuma dessas categorias, o mundo vai matar vocês, do mesmo modo. Apenas não terá pressa em fazer isso." Essa máxima hemingwayniana, e também um dos trechos mais conhecidos da obra, é uma síntese da teia trágica em que estão presos as personagens de Hemingway. Em sua essência, eles trafegam por círculos existenciais em que a própria matéria da vida, prática e objetiva, entra em conflito com a essência de suas próprias carências, as quais estão sempre maquiadas por habilidades diretas. Mas essa carência, que os persegue e os encontra justamente durante sua fuga, no cenário mais antagônico, é a gama de existências perdidas, que se temem, e asseiam por se completar, mesmo que isso os coloque contra toda máquina universal na qual estão presos. E é nesse contexto que o jovem casal que protagoniza a obra se encontram e se perdem, absorvendo-se mutuamente em sua essência e em sua necessidade de tomar dessa essência, até que a maquina universal na qual se inserem lhes esmague.
Quando Frederic Henry se encontra com a enfermeira Catherine Barkley, ele figurava no pavilhão dos muitos personagens hemingwaynianos que estão em busca de uma identidade em um mundo que não compreendem – ainda que nem sempre saibam disso. Foi durante a primeira guerra mundial, na Itália, onde o soldado expatriado americano serve como voluntario da cruz vermelha. E é quando seus destinos se entrelaçam que a carência da personagem até então remediada com soluções diretas se levanta, e ele percebe que só pode se completar na companhia da bela enfermeira, se atirando em um amor juvenil que devora-os. Abandonam tudo, como quem descobre o sentido de suas vidas, para viverem unicamente do centro desse amor e, ao fazê-lo, tal como Romeu e Julieta – caso seja permitido uma comparação clichê – se atiram ao trágico destino de um amor impossível, pois, seu amor só é possível ao negar a maquina que os aprisiona, traçando o belo e catártico destino do casal.

sábado, 15 de junho de 2013

Os medos de Lucas


O livro Seis vezes Lucas, escrito pela escritora carioca Lygia Bojunga, ganhadora do prêmio Astrid Lindgren, é o primeiro título de sua fase cinzenta, fase está, melancólica que é uma preparação para a vida e para a morte, e narra em seis capítulos as desventuras do pequeno Lucas. Uma criança retraída, tímida, cercada pela frieza do mundo adulto e pela indiferença dos pais, quais, na maior parte das vezes, acabam por ser os grandes vilões da obra. Escrito em 1995, uma época em que muito se discutia os direitos da criança no Brasil, a autora visa denunciar a falta de atenção para com as crianças, bem como certos cuidados por parte dos pais. O livro recebeu vários prêmios, entre eles o prêmio Jabuti, concedido pela Câmera Brasileira do Livro em 1996. Na obra, que se passa no decorrer de quase um ano em espaços abertos e fechados, Lucas se vê confinado em seu problema de relacionamento com os pais, o qual desperta na criança profundos medos, intensos, que o fazem um personagem assustado, em constante dilema de identidade, cujo dentre os medos cultivados estão o medo de ficar sozinho em casa de noite, o medo da solidão, o medo de mudanças, o medo de “não gostar mais de gostar do pai.” Medos esses que ele tenta desesperadoramente reprimir durante a obra para agradar o pai, qual afirma que homens não choram, nem podem ter medos. Isso, por sua vez, faz com que esses medos se manifestem na forma da “Coisa”. Uma forma de dor física que ataca com diferentes graus de intensidade partes do corpo do pequeno Lucas. 
           Dentre as ferramentas que Lucas encontra para enfrentar o medo estão a arte e um cachorro vira-lata chamado Timorato. Primeiramente, valendo-se de massa de modelar vermelha, uma cor intensa, enérgica, muito diferente do próprio Lucas, tímido e retraído, Ele produz uma máscara, “a cara”, qual é sorridente, um sorriso com capacidade de “conquistar o medo”, e que inspira em Lucas um espírito sem medo de ficar sozinho. Todavia, essa máscara também lhe é tirada pelo Pai, transformando Lucas mais uma vez em um garoto medroso. Lucas encontra então outra forma de combater seus medos, agora através da figura do que ele supunha ser o amigo ideal: Um cachorro. Qual ele pede ao Pai com tanto siso que acaba por aborrecê-lo, ainda que este faça uma promessa de lhe conceder um cachorro no aniversário, desde que não seja mais importunado com esse assunto pelo filho. Este aceita os termos do Pai e aguarda ansiosamente pelo presente no aniversário. Entretanto, o que recebe são chocolates do Pai, que esquecera completamente da promessa. Levado pelo constrangimento do choro do filho, qual se tranca no banheiro durante sua festa, porém, o Pai sai em busca de um cachorro para o filho, apanhando um vira-lata qualquer na rua. Mesmo assim, o animal acaba se tornando o melhor “brinquedo” que o filho já ganhara. Brinquedo que come e dorme e recebe o nome de Timorato. O então vira-lata passa por um processo de antropomorfização, deixando de ser um cão de rua para se tornar um morador de classe média à imagem e semelhança de seu dono, qual, conforme ia confidenciando-lhe seus medos, ia incutindo no cachorro os mesmos. 

        Timorato perde assim o espírito valente que se supõe pertencer aos cães de rua, quais sem donos nem mimos precisam buscar o próprio sustento e fugir dos perigos naturais da vida. Torna-se um cachorro medroso, inquieto na ausência de seu dono, como se o medo de ficar sozinho até então de Lucas tornasse-se seu. Lucas por sua vez aparenta grande melhora de comportamento agora que tem um amigo leal para lhe dar apoio. Entretanto, o medo do cão termina por irritar o pai, qual saturado pela presença agora incomoda do animal decide soltá-lo à própria sorte em uma estrada, bem diante do assustado e ferido Lucas, que enxerga com os olhos marejados o amigo ficar para trás. Resta ao jovem Lucas agora, apenas o conforto de sua primeira paixão, Lenor, que em grego quer dizer “a compassiva”, sua professora da escola de artes, na qual encontra certo carinho que lhe falta em casa, e para quem também confecciona uma máscara de presente. Mas tem novamente outro golpe quando percebe o interesse do Pai na professora, qual passa a ser enganada por esse. Lucas passa a imaginar como seria o lugar para onde o Pai levaria Lenor para dançar, lugar que ele idealiza pelo nome de terraço e passa a freqüentar em imaginação por algumas vezes. Alheia a esse fato, finalmente a Mãe de Lucas, uma mulher passiva e submissa a vontade do Pai, e completamente apaixonada por esse ao ponto de esquecer-se do filho, cansa-se das traições do marido e decide ir embora junto com o filho para o sitio da tia Elisa. O Pai, embora até então visto pelo filho como um homem bonito e vaidoso, toma novamente sua postura machista pondo-se contra essa idéia, e tentando convencer o filho a não seguir a Mãe. Mas indiferente aos esforços do Pai, Lucas parte com a mãe para o período que aparenta ser o mais feliz de Lucas.
                   Esse período de felicidade, entretanto, termina com a volta do Pai, o qual cheio de promessas leva sua Mãe, cegamente, a decidir retornar para a cidade com o filho. Pela primeira vez Lucas exprime sua indignação, enquanto indaga a mãe “e eu?”, antes de fugir para a mata do sitio, onde se perde e passa uma noite terrível, em companhia da “coisa”. Em pesadelo, ele revê Timorato, o fiel amigo que aparece em seu socorro até nos sonhos, para enfrentar “a coisa”, em uma batalha que termina com a destruição desse “medo”, onde são trazidos novamente os choros de Lucas, choros antigos, acumulados por anos e anos de repressão por parte do Pai. E ali, enquanto chora, Lucas abandona, junto com os medos, junto com as lágrimas, junto com Timorato, sua infância, qual morre para dar lugar a um novo Lucas. Um Lucas sem medo, mais maduro e experiente e um tanto frio, ao ponto de, ao ser inquirido pelo Pai se estava tudo bem, quando sequer sabia como ainda poderia vir a viver e gostar do pai, ele afirma positivamente. Ou quando, ao se deparar com a paixão cega da mãe e sua enganada professora ele se limita a concluir: “pensei que gente grande sacava melhor.” Nessa maravilhosa obra de Lygia Bojunga, encontrasse os sentimentos como principal fator da formação da identidade de Lucas. Os quais, constantemente conflitados pelas ações dos pais, ironicamente os símbolos de razão e afeto dos filhos, terminam por criar um Lucas cético e mesmo frustrado. Ressaltando a importância dos laços afetivos e familiares, Bojunga faz cada leitor se encontrar com uma porção de suas próprias experiências e encerra marcando cada um com uma verdade que muitas vezes deixamos por ignorar fora da ficção, forçando-nos a pensar sobre elas, as vezes com suspiros agradáveis, as vezes com lágrimas.

Poema X Poesia


              Muito já se discutiu sobre o que vem a ser poesia. Segundo Hênio Tavares (2002), a manifestação que toda obra de arte exerce no intimo, na alma de cada homem, a capacidade de comover pela beleza, ou seja, diferente do poema que é um gênero regido por regras literárias, a poesia é uma manifestação abstrata e absolutamente pessoal do sensível no espírito do homem, não estando ligado exclusivamente a literatura. Assim, diz-se que a poesia nasceu do instinto incontrolável do homem de tecer seus sentimentos, que são manifestações abstratas, dentro de cadeias tangíveis que lhes tornassem perceptíveis a outrem – o corpo da arte –, guiado por outra faculdade primária humana: a da comunicação. Ordenando o abstrato – o sensível –, dentro de formas, nascia o poema, a música, a pintura, e assim por diante. A arte e a filosofia são resultado da busca do homem por traduzir o mundo que vê, o mundo que não vê e o mundo que sente. A lira que embalava o artista na era clássica nada mais era que a voz do Ser íntimo, a porção exata do universo interno de quem por versos se anunciava enquanto existência ao universo. A própria palavra Lírica que deriva do instrumento, concerne ao Eu que habita somente o interior do homem (poeta) e se origina dessa primeira manifestação poética, sendo a própria poesia a capacidade máxima do Ser traduzir-se em uma medida racional, onde tudo que é abstrato, tudo que é sensível, tudo que é veemente e sublime ao espírito, terno, doce e aterrador ao coração, faz-se explícito na forma, no ritmo e na textura do poema. A arte que conta, que revela, que faz síntese, é a representação do homem, seu interior, sentimentos, pensamentos, desejos, medos, anseios; é a representação do homem sobre o mundo, do mundo sobre o homem e não obstante a representação do próprio mundo. Ao fazer arte, em especial a poesia, está o Ser tomando a medida exata de si mesmo, sem deixar de tornar-se maior. Está se revelando, se descobrindo e sendo. Por sua vez, a ordenação racional do sensível que vem a ser a arte, cria, entre as muitas faces da arte, o poema, que é a forma literária, ou seja, a arte da palavra, em que se manifesta com maior afinco os elementos da poesia, seguindo normas e conceitos próprios que o diferencia das demais formas literárias.