sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Os melhores e os piores de 2013



Eae, pessoal. Trouxe hoje uma teg que já está meio atrasada, né? Mas, como já diziam os antigos, “antes tarde do que nunca”. Fazer um balanço das leituras de um ano inteiro não é tão fácil quanto gostaríamos, principalmente se foi um ano em que você leu bastante. Mas, fazendo muito esforço e causando muita dor no coração, consegui reduzir minhas leituras a cinco livros que foram os melhores e cinco que deixaram a desejar. Assim, comecemos pelos livros que poderiam ter sido melhores:


01 – O oceano no fim do caminho – Neil Gaiman (Intrínseca, 2013)
Ao certo fiz alguém torcer o nariz e dizer “esse cara é louco”, mas tenho um bom argumento em minha defesa: eu esperava mais, muito mais. Sempre ouvi o nome de Gaiman associado às estrelas mais brilhantes da literatura fantástica. Logo, imaginei um trabalho digno de uma supernova que se preze. E não foi o que houve. O que encontrei foi um livro bem mal escrito (ou, possivelmente, bem mal traduzido), que se propunha a ser adulto, mas tinha uma temática, uma estrutura e uma narrativa totalmente infanto-juvenil (o que também pode ter sido uma jogada da editora). Em todo caso, não esteve nem aos pés do mito que me pregaram. Já os trabalhos dele que li depois foram bem mais felizes.


02 – On the Road – Jack Kerouac (L&PM Editores, 2012)
E lá vamos nós de novo: “esse cara só pode estar brincando!”. Qual o problema agora? Também gostaria de saber. A verdade é que sou a única pessoa que conheço que leu o livro e não gostou. Em todo caso, posso jogar a culpa na nossa tradução, afinal o próprio tradutor assumiu não ser a melhor tradução de um livro. Mas vale dar um refresco pro cara, e entender minha desilusão (foi na verdade um caso muito parecido que com o livro do Gaiman), afinal, On the Road é um romance escrito para ser falado em inglês, com uma sonoridade e uma musicalidade totalmente próprio para o idioma inglês.


03 – José – Rubem Fonseca (Nova Fronteira, 2011)
Talvez essa tenha sido a maior das decepções, pelo simples fato que Rubem Fonseca é meu autor nacional favorito. O livro é uma novela, que se propõe a ser autobiográfica, e contar a infância e juventude do escritor mineiro, desde seus dias em Minas, até a mudança para o Rio. A narrativa é entrecortada por reminiscências do autor, e por mais de um momento você sente estar lendo um livro de ensaios, ao invés de uma novela. E existe uma exaltação carioca que é provavelmente a maior ficção no livro, e é justamente o que mais irrita.


04 – Minha querida Sputnik – Haruki Murakami (Alfaguara, 2008)
Murakami é um fenômeno mundial, e embora ele seja autor de um dos meus livros favoritos, meu contato com os outros livros dele não foi positivo. Achei esse livro muito interessante pela idéia, e o clima de solidão que ele desperta é muito forte. Mas a maneira como ele conta foi quase infanto-juvenil, e existe algo de forçado.


05 – Elogio da madrasta – Mario Vargas Llosa (Alfaguara, 2009)
Agora eu consegui!!! Vou falar mau do Mario Vargas Llosa, deve ter alguém parando de ler esse post agora. Mas antes de mais nada preciso dizer em minha defesa que só li dois livros dele: esse e o Travessuras da menina má, e o Travessuras entra fácil na minha lista de favoritos, assim, um amei, outro, nem tanto. No caso do Elogio da madrasta achei muito monótono. O autor perde tanto tempo com fantasias de fetiches (o que é natural, já que é um romance erótico), e com as oblações do Dom Rigoberto que dava para dormir. Mas, a parte da história mesmo, e principalmente o final, até que fazem valer a pena a sonolência do enredo.

E esses foram os cinco menos felizes, que com certeza devem ter incomodado alguém. Mas, como nem só de espinhos vive-se a vida, esse ano eu também tive uma fase muito boa, na verdade, escolher só cinco livros como os melhores foi bem difícil, enquanto achar cinco para os piores também não foi tão fácil. Então, vamos lá:


01-  Tudo o que tenho levo comigo – Herta Müller (Cia. das Letras, 2011)
Imagine um livro onde cada palavra foi pensada para ter um sentido poético, e a construção mais simples seja extremamente bela, sendo que o poder criador da autora é tão forte que mesmo nas cenas mais tristes, violentas e desumanas, ela consegue encontrar um tipo de beleza sensível que pode te dar até vontade de chorar. É exatamente assim o livro da escritora alemã, premiada com o Nobel de Literatura. Em determinado momento, o personagem diz que romances são para se ler uma única vez, enquanto poesia é para se ler mil vezes. Acho que o poder de construção poética de Müller em cima da linguagem conseguiu criar um romance justamente com essa dimensão poética. Fora os fatos históricos que ela conta, sobre os trabalhos forçados que os alemães tiveram que pagar aos russos após a segunda guerra que achei fantástico (um tipo de justiça poética). Favorito, certeza!


02-  Travessuras da menina má – Mário Vargas Llosa (Alfaguara, 2006)
Agora imagine um livro que tenha o poder de te fazer se sentir incrivelmente só. É exatamente esse o poder desse livro do Llosa (outro ganhador do Nobel), que conta uma das histórias de amor mais doentias de toda a literatura. É um romance recheado de humor negro e certa polemica sobre o mito romântico que com certeza fez muitas pessoas odiarem o livro – o que é perfeitamente compreensivo. Mas na medida em que ele explora os limites do que é o amor, sua forma e dimensão, ele explora a própria natureza dos sentimentos e da solidão humana, em um mundo cosmopolita, onde você pode nascer na América do Sul, morar a maior parte da vida na França e morrer na Suíça, sem com isso chegar a pertencer existencialmente a nenhum desses lugares. Bravo!


03-  Doutor Fausto – Thomas Mann (Nova Fronteira, 2011)
 No momento em que estou escrevendo isso eu estou lendo meu segundo livro do Mann (que, adivinhem, é mais um ganhador do Nobel – mas juro que é coincidência), o seu livro mais “importante”, A montanha mágica. No entanto, preciso confessar que Doutor Fausto continua sendo meu favorito das obras dele. Apesar de mais difícil e cansativo, eu me apaixonei pelo livro desde o começo. A linguagem filosófica, a sátira implícita (adoro sátiras), a exploração da existência humana e da arte, é de uma profundidade que justifica a complexidade do livro. E tem a temática do homossexualismo, isso num tempo em que ser gay dava cadeia fácil. E o melhor, a crítica aos domínios de Hitler, que sempre acompanhou a vida do escritor. É um clássico que jamais perderá seu brilho. A história fala de um músico, baseado Nietzsche, que vende sua alma ao diabo para compor a música perfeita. É uma paródia da lenda original, que entre outros livros inspiraram o Fausto, de Goethe. Outro favorito.


04-  Em busca do tempo perdido, vol. 02: à sombra das raparigas em flor – Marcel Proust (Globo, 2006)
E já que é para falar de livros difíceis, não poderia faltar aqui por nada o senhor Proust. De tudo o que eu li na vida, nenhum romance foi tão denso. Isso porque o tempo em Proust se desdobra sobre si mesmo, e não flui para o futuro, mas volta constantemente para dentro dele próprio, o que torna ler um dos volumes do Em busca do tempo perdido uma luta contra a maré. Mas a beleza poética, e o profundo conhecimento da alma humana do Proust faz qualquer esforço valer a pena. Acho que encontrei aqui algumas das passagens mais lindas da minha vida como leitor. E teve a feliz coincidência de que ele falava sobre a mesma coisa que eu estava vivendo, e por isso sou testemunha de que os livros são o melhor apoio para qualquer momento na vida. A história fala de um jovem que vive seus primeiros amores, enquanto vai adentrando a adolescência.


05-  As cidades invisíveis – Italo Calvino (Cia. das Letras, 2010)
Agora, sabe aqueles livros que você começa a ler de tanto ouvir falar, mas tem certeza que vai ser um saco? Foi exatamente assim com esse. E, caramba, nunca fiquei tão feliz de estar errado! A história gira em torno do poder das histórias, da profundidade da imaginação humana e sua relação existencial com os sonhos dos homens. Cada cidade que Calvino descreve é uma imagem do homem. É um livro curto, fácil de ler em um único dia, mas o tipo de história que te persegue por muito tempo depois que termina.


Enfim pessoa, esse foi meu balanço das leituras do ano passado, que está chegando bem atrasado. Então, que 2014 traga livros ainda melhores. Bye! 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Os deuses nunca morrem – Resenha de Deuses Americanos, de Neil Gaiman



Ultimamente eu tenho dedicado algum tempo para ler literatura fantástica, que embora eu sempre tenha curtido, eu cheguei a ler pouco. E é impossível falar em literatura fantástica contemporânea sem associar o nome de Neil Gaiman, como todos sabem. Mas, apesar dos mitos, das lendas, e dos louros que envolvem o nome do autor britânico, meu primeiro contato com ele foi bem infeliz. O livro O oceano no fim do caminho me encantou mais pela capa que pela história. Mas... como águas passadas não movem muinhos (nem as águas do oceano), eu dei mais uma chance para o cara, e li a cultuada série de quadrinhos Sandman. E não, você não leu errado o título, esse post é sobre o livro Deuses americanos (C, 2011) mesmo, mas eu só decidi ler esse livro porque eu fiquei viciado na série (que diga-se de passagem, é um absurdo o preço das edições definitivas da Panini). E qual meu parecer? Deuses americanos redimiu o cara em termos de literatura completamente.
Uma coisa que preciso dizer é que ler as histórias de Gaiman é ter contato com um tipo diferente de literatura fantástica. Gaiman tem seu próprio universo, e é o universo de uma literatura fantástica estranha. Mas já explico isso.
Neil Gaiman
A história de Deuses americanos, conta a vida de Shadow, um ex-presidiario que descobre que sua mulher morreu no dia em que sai da cadeia, e o mais chocante, morreu o traindo com seu melhor amigo (vale dizer também que ele foi preso por conta de uma idéia da mulher). Mas, piriguetes a parte, o cara fica arrasado, e no meio do caminho para casa conhece um tal de Sr. Wednesday, que lhe oferece um emprego como capanga do cara. A partir da daí coisas estranhas acontecem ao redor de Shadow, até que ele finalmente descobre que seu empregador é ninguém menos que o papai de Thor, o grande Odín, que para quem não conhece é a versão de Zeus para a mitologia nórdica. De súbito, Shadow se vê no meio de uma guerra, onde os novos deuses americanos (como o deus do dinheiro e o deus da TV), estão tentando obliterar os deuses antigos. E se você estiver pensando: o que bulhufas foi fazer Odín tão longe da Europa?, a resposta é talvez o que existe de mais legal no livro: os imigrantes o trouxe, bem como os muitos deuses de todas as partes do mundo que hoje povoam a América, em suas mentes, com suas orações e tradições.
Agora Shadow precisa correr contra o tempo para desvendar os segredos por trás dessa guerra aparentemente inevitável, e descobrir o que ele tem de tão especial ao ponto de um deus lhe procurar. A trama é cheia de reviravoltas, e o leitor precisa ficar atento.

O livro foi o mais premiado de Gaiman, com prêmios nos EUA e na França (o legal é que o cara é britânico), e esteve entre os que mais venderam de suas obras. É uma literatura fantástica para adultos, e tem cenas fortes. É um mergulho e tanto para você que curte literatura policial, o fantástico, erotismo, terror, e uma pitada de humor, com alguns personagens que irão marcar profundamente seus leitores. 
E como eu havia dito, a ficção de Gaiman é talvez mais estranha que fantástica. Isso porque ele usa muito os elemento de literatura pulp, que procura trabalhar mais com o movimento em passagens absurdas sem explicação, que de fato com sentidos. Gaiman combina isso com os elementos do folclore de muitos povos, para construir um universo fantástico que tem muito a ver com um país da América, que foi colonizado por diferentes povos (como o Brasil, por exemplo). E tem algo interessante que eu noto nos trabalhos dele desde Sandman: os protagonistas só participam da ação indiretamente. Ou seja, se tem luta são outros que lutam, eles só aparecem em momentos definitivos para fechar os nós da intriga. Ainda assim, vale muito a pena.


Outras capas:




sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Um concelho do Seu Bukowski para quem quer ser escritor:

Charles Bukowski


então queres ser um escritor?

(Tradução: Manuel A. Domingos)

se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever

procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,

não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,

não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
— devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,

e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.


não há outra alternativa.

e nunca houve.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Os duplos de Dostoiévski



Basta pronunciar o nome do escritor russo Dostoiévski em uma sala com literatos (ou pseudo-literatos) para ganhar respeito. Isso porque desde sua batalha com Tolstoi para ser o maior escritor do mundo, Dostoiévski paira sobre os fantasmas dos maiores escritores da humanidade de todos os tempos. Dono de uma prosa vertiginosa, em um ritmo latente, que conduz o leitor por vielas sujas, estreitas e difusamente iluminadas, o russo apaixonado pelos humilhados e ofendidos, fez jus ao titulo de “o pai da psicanálise”, concedido por ninguém menos que o tio Freud. E conquistou esse posto graças a sua inclinação por alguns temas, que se tornaram muito recorrentes ao longo de suas obras, como, por exemplo, a dualidade, que foi fator determinante na composição de seus principais personagens (vide Raskólnikov), e que já aparecia em seu segundo romance (e bem controverso romance) O duplo (Editora 34, 2011).
A história do romance contem todos os elementos do universo dostoievskiano, é um misto de drama pastelão com um humor muito, mas muito negro mesmo. E é esse tempo ácido que torna a história tão magistral. Dostoiévski é irônico como nunca, e zomba de seu personagem para zombar da condição social de seu tempo, e ao fazer isso cria uma nova forma narrativa, até então inédita no século XIX, o que faz com que seu tema, a loucura, mesmo já não sendo novo, tenha um ar tão inédito para os russos.
Em suma, o livro conta as desventuras do senhor Yákov Golyádkin, um funcionário de uma repartição pública, que ao voltar para casa em uma noite após ter sido vergonhosamente rejeitado pela jovem que amava, encontrou-se cara a cara com outro homem, idêntico em todos os aspectos com ele próprio. Desde ponto em diante, começa o inferno do senhor Golyádkin, que se vê preso em algum tipo de conspiração absurda cuja única finalidade é desmoralizá-lo e destruir sua vida, e na qual todas as pessoas em maior ou menor grau estão envolvidos, todos manipulados por seu único e verdadeiro inimigo: seu duplo.
Fiódor Dostoiévski
A construção narrativa é uma sátira, e Dostoiévski parece estar atrás de cada página zombando de seu personagem. Essa forma de narrar causou grande desconforto na época, e embora Dostoiévski houvesse sido aclamado pouquíssimo tempo antes de lançar O duplo, por seu romance anterior, Gente pobre, ele vaiado pela crítica e fez muitos leitores torcerem o nariz com a história do senhor Golyádkin. Mas até aí tudo bem, afinal toda inovação estilística causa desconforto em seu tempo. Mas o grande ponto da sátira de Dostoiévski, é a maneira como ele relaciona a frivolidade da sociedade russa em suas regras sociais, bem como o desprezo que os mais importantes membros da sociedade têm por seus subalternos. É um humor que chega a ser absurdo, com as cenas totalmente inusitadas que o escritor pinta.
Ainda assim, talvez o tema absoluto da obra seja a solidão humana, pois todos os personagens de O duplo estão confinados nos limites de sua vida, pela condição social, pela burocracia, pelos vícios, etc. E assim, a história conta o processo de queda que a solidão ensurdecedora pode causar, levando um homem até a loucura.

E em 2013 O duplo ganhou uma versão cinematográfica, intitulada The Double, com Jesse Eisenberg no papel principal. O filme ainda não tem data para lançamento do Brasil, mas confesso estar tão apreensivo quanto ansioso pelo resultado. isso porque a ideia do diretor do filme foi levar a trama da Rússia do século XIX para os dias atuais. Deu certo com Conan Doyle, Shakespeare, e outros grandes. Vamos ver o que vai ser de Dostoiévski. Você pode conferir o trailer aí em baixo.



sábado, 25 de janeiro de 2014

Do amor e do esquecimento. Resenha do romance A Ignorância, de Milan Kundera




Já faz um tempo desde que li A insustentável leveza do ser, do Tcheco, Milan Kundera, e com certeza a expectativa para ler outro livro era imensaaa!!! Basta dizer que A insustentável leveza do ser se tornou um de meus romances preferidos, e não foi de imediato. Depois que fechei o livro e mesmo depois de começar a ler outros títulos, a história de Kundera continuava vagando pela minha cabeça, me assombrando, um tipo de fantasma. Foi quando percebi o quanto o livro me marcou, e se tornou parte de mim. Logo, quando comprei A ignorância (Cia das Letras, 2002), já senti na barriga aquele friozinho de “mal posso esperar”. E valeu a pena? “Tudo vale a pena se a alma...”, nem para tanto, mas com certeza foi uma das melhores leituras de 2013 (é, to meio atrasadinho).
Embora o livro não tenha a mesma intensidade narrativa e poder poético (profundo assim mesmo!) que A insustentável leveza do ser, afinal obras-primas não nascem todos os dias, o livro não deixa de mostrar porque Kundera é apontado pela crítica internacional como um dos maiores escritores contemporâneos do planeta. Extremamente bem escrito, em um tom pessoal (é novamente um narrador onisciente com uma forte inclinação à ser o próprio autor), o romance carrega os desvios temporais que marcam a narração não linear do autor, e continua fazendo as explanações psicológicas que tornam tão densos os romances de Kundera.
Milan kundera 
A trama conta a história de um amor que só se torna possível devido a ignorância dos protagonistas, estes, Irena e Josef, são ambos refugiados da recém formada República Tcheca, fugitivos do domínio comunista que arrasou o país por anos. Agora, depois de muito tempo, eles retornam ao país para descobrir que tudo (ou apenas eles) estava diferente. O romance trata, assim, de um dos assuntos mais europeus (e porque não mundial?) do século XX, que é a perda da identidade. Pois quando esses dois personagens eram apenas exilados, os países que lhes acolheram os viam como imigrantes, e quando voltaram para seu próprio país, o contato com outros povos e novas realidades tratou de modificá-los ao ponto de não se reconhecerem mais como “tchecos”. Então, ao que eles pertencem? Mas antes de responderem essa pergunta ambos se encontram no aeroporto, e levados por um engano decidem se fazer amantes.
O engano: ela o reconhece (ou pensa reconhecer) e acredita que ele está tão impressionado com o encontro enquanto ela. Mas a verdade é que Josef nem imagina quem seja Irena. E o curioso, é que todo sucesso (aquele que houver) de seu relacionamento será derivado desse pequeno detalhe. E com isso Kundera aborda o tema do amor, de como os sentimentos, mesmo o maior deles, é desigual, e muitas vezes (se não em todas) é construído em cima de enganos, erros, e ilusões.

O romance de Kundera é extremamente moderno, e extremamente humano. Seu último trabalho bem poderia ser quase uma novela, mas sua intensidade e profundidade magistral tornam os temas (Kundera se define como um autor que escreve através de temas seus romances) uma dos mais belos e poderosos estudos sobre o amor, a identidade e o conhecimento. Tudo isso combinado com o alcance da narrativa de um dos maiores escritores de todos os tempos. Livro super recomendado. 

domingo, 15 de dezembro de 2013

No ritmo do jazz em On The Road



Quando você está com uma das lendas da literatura para ler você espera encontrar um universo sagrado e desconhecido que te deixe totalmente elevado (olha, que palavreado poético), devido ao seu poder único e original. Um desses mitos é o livro Na estrada, ou On the road (L&PM, 2012) , de Jack Kerouac, livro clássico da literatura americana e o mais famoso da chamada geração Beat. Mas mais que me elevar foi um livro que exigiu muito. É um livro aparentemente despretensioso, que já foi por sua temática inclusive (acreditem ou não) chamado de “subliteratura”. Mas quando você começa a viajar por suas linhas (desculpem o trocadilho bobo) você encontra uma imensidão totalmente inesperada para um livro de 300 páginas. É um livro denso, que se estende por um espaço narrativo próprio, que é tão vasto quanto as dimensões americanas – que é justamente o objeto que o livro se propõe a narrar. Em uma única linha você pode encontrar tanta informação como em um paragrafo. E se a temática do livro foge aos padrões dos clássicos, é porque ela é o retrato de uma era intensa, frenética e em movimento.
O livro foi o primeiro que Kerouac conseguiu publicar após anos de fracassos e recusas, e mesmo assim somente depois de ter seu original mutilado dezenas de vezes pelos editores até se transformar em uma sombra do que Kerouac realmente queria. Atualmente no mercado é possível encontrar a versão original, tal qual foi idealizada pelo autor. Mas, apesar dos pesares, e dessa versão apenas meio ideal que chegou aos leitores pela primeira vez, o livro foi o bastante para consagrar seu escritor, tendo transformado-o em um ícone da moda da noite para o dia.
Jack Kerouac
A história tem forte cunho autobiográfico, e os personagens principais são inspirados no próprio Jack e em seu amigo, Neal Cassady. A trama conta as jornadas dos dois amigos pelos Estados Unidos dos anos 60. Sem dinheiro, sem destino muitas vezes, sem carro, e sem um motivo mais forte que o simples incomodo de se manter quieto, eles apenas se lançam na estrada. A história é contata por Sal Paradise, um jovem bem comportado (se comparado com seu amigo), que deseja ser escritor e alterego de Kerouac. A vida dele muda quando a figura hipnótica de Dean Moriarty entra em sua vida. Dean é um personagem complexo, que sofre de grandes abalos psíquicos, passando por mudanças de humor e fortes impulsos, o que lhe torna um personagem extremamente instável. Mas, por outro lado, é dele o papel mais importante na obra. Dean é a partícula do caos que muda a vida de todos ao seu redor. Sendo extremamente carismático, e dono de uma personalidade magnética, é por sua influência que os personagens se sentem inquietos e sofrem um forte desejo de conhecer o mundo, de se movimentar. É seu espírito livre e intenso que une as células da narrativa.
Assim a história bem que poderia ser um romance de viagem, pois seus personagens estão sempre voltando para a estrada. Na verdade, a estrada em si constitui o personagem principal da história. Ou como o próprio Dean afirma: “A estrada é a vida”. Em suas viagens, o leitor conhece mais sobre os acontecimentos ao longo do caminho que de fato as problemáticas que lhes aguardam em seu destino. A própria trama tem seu ritmo, e o livro cobra um folego vertiginoso do leitor, pois a narrativa está sempre em movimento, rápido e contínuos, sendo só interrompido por exigência dramática.
Kerouac e Cassady
Essa característica da narração, fez com que nascessem muitas interpretações sobre seu sentido. Muito já se falou sobre um sentido espiritual da história, muito sobre uma crítica social aos valores americanos. Mas acho que o livro fala sobre jovens que transformaram a busca por algo novo, por liberdade, em seu sentido de vida. Se acomodar é maçante, o livro fala daquele desejo implícito em todos nós de escaparmos do marasmo, de viver a vida intensamente, de ter algo para contar depois.
Ao mesmo tempo, o caráter rápido, seguido do embalo frenético do jazz e do desejo quase compulsivo de transportar a estrada, os espaços, e os tipos que habitam esse espaço para o papel, fez com que o livro se tornasse um dos mais difíceis de se traduzir, ao ponto do próprio tradutor brasileiro reconhecer que não é uma das melhores traduções, pois tamanha sonoridade tem seu preço, que é o entrelaçadíssimo vinculo com a língua (no caso o inglês). Assim existem marcas de oralidade, trejeitos linguísticos, trocadilhos sonoros, expressões vocálicas, etc. É um livro tanto para ser lido, quanto ouvido.

Cena do filme, On The Road, 2012. Na cena,
Mary ao lado de Jean e Sal.
Toda essa força marcou ícones da cultura do século XX, como a banda The Doors, e a série Supernatural. Além de inúmeros jovens que aderiram ao movimento beat e foram para as estradas viver suas próprias aventuras, o livro ainda é um dos mais influentes do mundo, e seja por seu valor literário ou social, vale a pena ser lido. Mais recentemente, o livro chegou as telas em 2012, após uma outra longa estrada, que começou lá nos anos de 1980, e atravessou os anos 90 e dois mil, onde nomes como  Francis Ford Coppola e Johnny Depp se mostraram muito entusiasmados. Mas justamente pela complexidade de criar um roteiro sobre uma obra tão densa, somente recentemente, com um diretor brasileiro, Walter Salles, conseguiu sair das páginas para as telas. O filme em si é bastante fiel, ao menos tanto quanto uma adaptação se propõe a ser, mas seguindo o ritmo frenético de Kerouac, é um expetaculo que vale a pena ser visto. Além de contar no roteiro com Viggo Mortensen e a garota Crepúsculo, Kirsten Dunst, sendo quase ela mesma no papel. O filme não causou tanto abalo, e claro, como o esperado, que os fãs do livro não o acharão tão bom. Eu vi primeiro o filme e depois li o livro, e confesso que ambos são bons, se você souber manter a distinção entre os tipos de arte, e acho que o filme captou bem o espírito do livro. De todo modo, o mito de Kerouac e On The Road nunca estiveram tão vivos como agora.



Outras capas (a L&PM dominando as publicações no Brasil):




domingo, 8 de dezembro de 2013

Livros para ler em BEM MAIS de um dia



Postamos há algum tempo aqui um post especial sobre livros para ler em um dia. Mas, como não só de história curtas vive a literatura, vamos falar agora do extremo oposto: livros muuuuuito longos.
E então? Já leu um livro tão grande que até segurar foi difícil? Pode parecer exagero livros grandes assim, principalmente para os termos da literatura de hoje, onde a brevidade é um dos elementos críticos mais importantes. Italo Calvio, a vinte anos, já dizia que uma das tendências da literatura nesse nosso milênio seria a rapidez e a brevidade (vide Seis propostas para o próximo milênio, Companhia da Letras, 2007), o que só veio se concretizar completamente na geração 140 caracteres.
Entretanto nem sempre foi assim, na verdade, até pouco tempo atrás, na literatura tamanho era documento sim, e muitos escritores só eram reconhecidos por suas obras longas. Mesmo poetas tinham seu valor medido pela extensão de seus poemas, sendo que os mais longos eram batizados como “suas maiores (no sentido de valor) obras”. E mesmo hoje, em plena geração Twitter, algumas obras longas têm surgido e se firmado como obras fundamentais da literatura.
É preciso ressaltar que existem duas formas de livros enormes: o estilo George R. R. Martin e Stephen King, onde existe uma grande quantidade de personagens e acontecimentos para dar volume ao livro (dizendo isso sem qualquer julgamento), e aquelas obras que são complexas em sua temática e construção dos personagens, e muitas vezes se fazem prolixas mais pela estrutura narrativa e profundidade do elemento humano que dos fatos narrados.
Conheça agora alguns livros enormes que você deveria ler:

1-      Em Busca do Tempo Perdido – Marcel Proust
Capa do último livro


Totalizando sete livros, em mais de quatro mil páginas, são dezenas de personagens que se cruzam em histórias de amor, ciúmes e inveja, na França da Belle Époque. A narrativa vai passando do detalhe ao painel e do painel ao detalhe sem projeções definidas, num constante reajuste de tudo aquilo que nunca será perfeitamente ajustado. 
A obra é um retrato da sociedade de uma época, um mergulho no universo da burguesia francesa que permite que o leitor sinta as divergências entre nobres e burgueses. Ao mesmo tempo, o livro é uma construção arquitetônica, focada no tempo que encarna uma vasta catedral, o que torna um livro bastante complexo.

2-      A Montanha Mágica – Thomas Mann

Num sanatório na Suíça, reúnem-se indivíduos de várias raças e credos. Aí se entrelaçam problemas, inquietações, sofrimentos de toda ordem. Construído nos anos seguintes à Primeira Guerra Mundial, este romance é o mais completo painel de uma Europa enferma, à procura de uma unidade. Prêmio Jabuti 2001 - Capa e Produção Editorial. Eleito um dos cem livros mais importantes de todos os tempos pelo Círculo do Livro da Noruega. O livro tem mais de 900 páginas. 

3-      Doutor Fausto – Thomas Mann

Baseado em um dos mitos mais antigos da Alemanha, Thomas Mann compõe uma história que é a um só tempo uma sátira e uma tragédia, ao combinar uma história de amor destinada ao fracasso, com os acontecimentos de seu próprio país em plenos dominio nazista.
Narrada pelo seu amigo, o professor Zeiblom, esta é a história do músico Adrian Leverkuhn que, como o Fausto da lenda, vende a alma ao Demônio a fim de viver o suficiente para realizar sua grande obra. 
Publicado em 1947, este livro faz parte do período final da atividade criadora de Thomas Mann, sendo 
Thomas Mann
tecnicamente o seu romance mais ousado, no qual música e política, realidade e símbolo, fato e ficção combinam-se num grande panorama que, segundo Otto Maria Carpeaux, "alcançou uma altura na qual nenhum dos seus contemporâneos foi capaz de acompanhá-lo, o que também o faz um dos livros mais difíceis do autor para ser lido. Para compor os personagens, Mann se baseou na biografia do grande filosofo alemão Nietzsche, construindo um contundente cenário sobre a arte e o espirito do significado de se ser alemão. Mas, mais do que isso, sobre o destino da própria humanidade. O livro tem quase 800 páginas. 


4-      Ulysses – James Joyce

Um homem sai de casa pela manhã, cumpre com as tarefas do dia e, pela noite, retorna ao lar. Foi em torno desse esqueleto enganosamente simples, quase banal, que James Joyce elaborou o que veio a ser o grande romance do século XX. 
James Joyce
Inspirado na Odisseia de Homero, Ulysses é ambientado em Dublin, e narra as aventuras de Leopold Bloom e seu amigo Stephen Dedalus ao longo do dia 16 de junho de 1904. 
Tal como o Ulisses homérico, Bloom precisa superar numerosos obstáculos e tentações até retornar ao apartamento na rua Eccles, onde sua mulher, Molly, o espera. Para criar esse personagem rico e vibrante, Joyce misturou numerosos estilos e referências culturais, num caleidoscópio de vozes que tem desafiado gerações de leitores e estudiosos ao redor do mundo, e totaliza mais de 800 páginas. 

5-      A Dança da Morte – Stephen King

Uma poderosa arma biológica, conhecida formalmente como Projeto Azul ou "Capitão Viajante", acaba presumivelmente com grande parte da população do planeta. Apenas uma pequena parcela da população é resistente ao vírus, que é extremamente mortal. O romance narra em três partes a vida destes sobreviventes, que em um mundo pós apocaliptico precisam enfrentar muito mais perigos que apenas o virus mortal.
Não o bastante, é apontado por muitos como o melhor trabalho de Stephen King. O livro ganhou uma série para a televisão, e até hoje consta entre as obras mais vendidas do mundo, sendo esse um sucesso que faz jus ao esforço do escritor, que compos uma obra de praticamente mil páginas. 

6-      Guerra e Paz – Liév Tolstói

O romance foi publicado em partes na revista Mensageiro Russo entre 1865 e 1869. Ele alterna de maneira precisa a História - tendo como protagonistas Napoleão, o tsar Alexandre I e o general Kutuzov no período da campanha napoleônica contra a Rússia entre 1805 e 1812 - e o enredo ficcional, cujo fio condutor são a vida, as misérias e os amores de duas grandes famílias aristocratas, os Rostov e os Bolkonski, por sua vez protagonistas de um mundo em plena decadência. O curioso, é que quando Tolstói começou a escreve esse livro ele tinha uma ideia completamente diferente do resultado, como se o livro tivesse ganhado vida. E em seu estado de fulgor criativo, Tolstói escreveu mais de duas mil páginas.

7-      Anna Kariênina – Liév Tolstói

Toltói
Estruturado em paralelismos, o livro se articula por meio de contrates - a cidade e o campo; as duas capitais da Rússia (Moscou e São Petersburgo); a alta sociedade e a vida dos mujiques; o intelectual e o homem prático, etc. O tema é descentralizado a cada novo episódio. Os dois principais personagens, Liévin e Anna, só se encontram uma vez, em toda a longa narrativa. Mas nem por isso estão menos ligados, pois a situação de um permanece constantemente referida à situação do outro. 

Anna viaja a Moscou para tentar salvar o casamento em crise de seu irmão. Consegue ajudá-lo, mas acaba pondo a perder o seu próprio, apaixonando-se por um aristocrático militar por quem larga o marido e o filho pequeno. Liévin, um rico e jovem proprietário de terras rurais, vive às voltas com problemas de conflitos de classe de seus lavradores e questionamentos existenciais profundos. E através do paralelo com que Tolstói compos seu segundo grande trabalho, inaugurando uma nova fase do escritor, o livro segue o caráter moralista que marca alguns livros do ao autor, e apesar de ter sido um verdadeiro escandalo na época, o livro fez um sucesso que reassegurou ao escritor russo seu posto de um dos maiores do mundo. O livro totalizou dessa forma mais de 800 páginas.

8-      Os Irmãos Karamázov – Fiódor Dostoiévski


Fiodor Dostoievski é considerado um dos maiores escritores russos do seu tempo. Discutiu o materialismo e a fé, o racionalismo e o pensamento ecumênico, a violência e o sentido da humanidade. Todas as contradições da época estão presentes em seus romances. Os Irmãos Karamazov (1879-80) é considerado a obra prima de Dostoievski. O livro causou grande impacto literário: mais uma vez escreve sobre um crime, desta vem um parricídio.
Não é para menos que Freud chamou o livro de "o maior romance de todos os tempos". E seja pela intensidade ou número de páginas, o livro é publicado no Brasil em dois tomos, e tem mais de mil páginas.
                                                    
 9-      Os Miseráveis – Victor Hugo

O fio condutor é o personagem de Jean Valjean, que, por roubar um pão para alimentar a família, é preso e passa dezenove anos encarcerado. Solto, mas repudiado socialmente, é acolhido por um bispo. O encontro transforma radicalmente sua vida e, após mudar de nome, Valjean prospera como negociante de vidrilhos, até que novos acontecimentos o reconduzem ao calabouço. Uma epopeia moderna de cunho social, que foi no tempo de sua publicação um verdadeiro best-seller, e isso antes da mídia. O livro vendeu tanto na França, que sua primeira edição esgotou em menos de uma semana. As cinco partes que formam esse livro totalizam juntas mais de mil páginas. 


10-  O Conde de Monte Cristo – Alexandre Dumas

O futuro do jovem marinheiro Edmond Dantés parecia promissor. No entanto, a conspiração de três inimigos invejosos ocasionou sua prisão por catorze anos. O que ninguém esperava era que ele conseguiria sair da prisão, com uma sede de vingança que não pouparia nenhum dos responsáveis pela sua tragédia.
O livro foi públicado originalmente no formato folhetim, e foi desde sua publicação um sucesso de publico, o que fez com que o romance terminasse com mais de mil e duzentas páginas. 


11-  As Benevolentes – Jonathan Littel

Este livro trata dos horrores da Segunda Guerra Mundial sob a ótica do carrasco. São as memórias de Maximilien Aue, jovem alemão de origem francesa que, como oficial nazista, participa de momentos sombrios da recente história mundial - a execução dos judeus, as batalhas no front de Stalingrado, a organização dos campos de concentração, até a derrocada final da Alemanha, em 1944. 


Mas Aue não tem somente lembranças de guerra. Vivendo anonimamente na França, onde administra uma tecelagem, ele se recorda, também, de sua deturpada relação com a família, compondo um livro impressionante, assombrado tanto por sua fria meticulosidade quanto por seu delírio insano.
Tentando escrever uma obra digna de um Tolstói, o romance de Littel totaliza mais de 900 páginas. 

12-  Contra o Dia – Thomas Pynchon
Pynchon é um escritor prolixo por natureza, e não negando o nome, este romance ultrapassa as mil páginas para contar a história de quando Webb Traverse, um anarquista do Colorado com pendor para explosivos, é morto pelo magnata Scarsdale Vibe, seus quatro filhos decidem vingá-lo. Ao mesmo tempo, um grupo de jovens aventureiros, os Amigos do Acaso, viaja pelo mundo em um dirigível cumprindo missões cujas razões raramente conhecem. 
Não há personagem ou tema principais neste romance da carreira de Pynchon. O elenco, numa descrição atribuída ao próprio autor, inclui 'anarquistas, balonistas, jogadores, magnatas corporativos, entusiastas de drogas, inocentes e decadentes, matemáticos, cientistas loucos, xamãs, físicos, ilusionistas, espiões, detetives, aventureiros e assassinos profissionais' (além de um cão que lê Henry James). Momentos de trocas no estilo de narrativa e temas e elementos - espiritualidade, história, jazz, ciência, paranoia, psicologia, entre outros - para que o escritor possa reafirmar sua visão do mundo e da modernidade.

13-  Fausto – Goethe

Considerado o último grande poema épico escrito, e o maior escrito na modernidade, Fausto é um poema dramático em que Goethe trabalhou desde a juventude; teve a sua primeira parte publicada em 1808, e a segunda, postumamente, totalizando mais de mil páginas de poema. 
Na obra, Goethe conta a história de um homem que vende sua alma ao diabo em troca de ter seus desejos realizados, e toda as consequências trágicas que se seguem.


É importante dizer que muitos livros que mereciam estar aqui não couberam. Como o Infinite Jest, de David Foster Wallace, Sob A Redoma, de Stephen King, A Comédia Humana, do Balzac, que é uma coleção de livros, As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, também composta por vários livros, sendo cada um deles maior que o outro, entre outros.